domingo, 30 de janeiro de 2011

Domingo

O domingo costuma ser injustiçado. Normalmente, muita gente não gosta dele e o chama de tedioso. Deve ser mesmo, para quem não sabe ouvir o silêncio. Desconfio que domingo seja um dos melhores dias da minha semana, especialmente as suas manhãs.
Não gosto de acordar muito tarde, para não perdê-las. Durmo até a hora que dá vontade, mas normalmente ainda me restam duas ou três horinhas abençoadas antes do almoço. Não é a questão do não fazer nada que me atrai, já que nem todos os meus sábados são ocupados, mas é o clima.
Há algo de diferente no domingo, que inspira paz. A vida passa devagar. As ruas estão vazias e o único barulho que entra na casa é o som de bossa nova de alguma janela próxima, que eu não sei bem qual. Acredito que o vizinho também goste de domingo. Somos cúmplices, mas ele não sabe disso.
É gostoso ficar sozinha nessa tranquilidade. A companhia dos que eu amo pode esperar.
Talvez esteja generalizando, mas acho que quem gosta de sua própria companhia, de um bom livro e de sua família, não considera o domingo tedioso. Espero que seja o caso de vocês.
Bom domingo! E que ele passe devagar, como de costume!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eu acho bom que Deus exista!

Eu acho bom que Deus exista! Ah, acho, sim! Se eu chegar lá do outro lado e ele não existir, ficarei muito aborrecida. Mesmo que eu não chegue ao outro lado, porque não exista nada do outro lado, eu darei um jeito de ser um nada muito aborrecido!
Em uma escala menor, vou ficar com um pouco de pena dos que viveram honesta e eticamente visando apenas o Paraíso - e não o bem comum -, mas o meu problema maior será com aqueles desgraçados que vivem um paraíso na terra, as custas dos outros, e não pagarão por isso. Não tenho mais ilusão que algumas criaturas, ricas e poderosas, passarão um dia sequer na cadeia, então resta a justiça divina. Se ela não existir, como não ter vontade de garantir por si próprio que ladrões, pedófilos e assassinos poderosos comam o pão que o diabo amassou?
Olhando por esse ponto, seria até mais importante que o diabo existisse (oh, blasfêmia!), para que, ao menos, os sacripantas queimem no fogo do inferno! Quem for bonzinho, vai perdoar a ilusão do paraíso, eu espero.
De qualquer forma, já que não dá pra confiar na Justiça, eu acho bom que Deus exista!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Enfim, o poder

Muitas não veem mais sentido na luta pela igualdade da mulher. Acham que já conseguimos. É verdade, em parte. Eu me sinto igualmente capaz de conseguir tudo. Não me sinto discriminada em nada, mas negar que o caminho ainda não terminou é estar focada no próprio umbigo e não enxergar a realidade ao redor.
Mulheres de classe média - alta, especialmente - não tem do que se queixar. As oportunidades são as mesmas, a escolaridade é maior, o salário é compatível. Assim, o discurso pode parecer bobagem, mas não é.
Nas periferias das grandes cidades e nos grotões do país, as coisas são muito diferentes. A ausência de informação, de oportunidade e de políticas públicas afasta milhões de mulheres do mercado de trabalho. Meninas que engravidam cedo e largam os estudos; mães que trabalham e não tem uma creche para deixar os filhos; mães que deixam de trabalhar para cuidar dos filhos. Mulheres que dependem financeiramente de seus homens, que deixam desassistidas elas e seus filhos, quando resolvem ir embora, razão pela qual elas se submetem a humilhações de toda sorte (esqueça a lenda da mulher de malandro - o motivo real é esse!).
Eu acredito, sim, em dias melhores. O momento é de esperança. Não importa o partido, não importa a ideologia. O simbolismo de ter uma mulher no comando de um país é enorme, ainda mais pela raridade do fato no mundo inteiro. Sim, podemos comandar. Estamos aptas.
E tem mais: Dilma, como bem disse, é agora a Presidente de todos os brasileiros. Quem não torce pela sua sorte e seu sucesso é um abutre que odeia o seu país ou é cego de ódio e preconceito. Minha única cisma com ela, até o momento, é essa história de se autodeclarar Presidenta. É Presidente e pronto!

Nunca antes na história desse país

Podem falar o que quiser sobre Luiz Inácio Lula da Silva, mas nunca antes na história desse país houve uma posse como a dele.
Caravanas saíram do país inteiro para acompanhar a chegada de Lula e do Partido dos Trabalhadores ao cargo máximo da política brasileira. Era militância, sim, mas militância espontânea, de convicção, de ideais. Pessoas que tinham certeza de que a vida iria melhorar.
Eu tinha apenas 18 anos, mas lembro como se fosse hoje das pessoas invadindo o lago à frente do Palácio do Planalto, fazendo uma festa, se divertindo. Foi de emocionar.
Naquele tempo, eu ainda era uma típica leitora de VEJA (perdão gente, 18 anos - eu ainda leio a revista, mas senso crítico é fundamental) e acreditava que Lula criaria um caos. Quando vi a manifestação espontânea das pessoas, a emoção e a esperança, as coisas começaram a mudar. Se tanta gente tinha tanta paixão por ele, era hora de dar um crédito.
Lula não me conquistou como eleitora, mas ganhou o meu respeito como cidadã. Conseguiu o que parecia impossível: agradar a quase todos, a 87% dos brasileiros. Sinto muito, classe pensante do pais, mas eu não ousaria dizer que 87% da população é ignorante. É muita pretensão. Os que temiam o Governo Lula, tiveram uma grata surpresa. Os que tinham esperança, não se decepcionaram. A vida melhorou, é fato.
Não importa se foi a economia, se foram os ventos favoráveis, se foi a estabilidade. O fato é que a vida melhorou. Vocês que idolatram os Estados Unidos, lá eles também votam pela economia. Barack Obama teve uma derrota retumbante porque a economia do país vai mal, mesmo não sendo exatamente culpa dele. É tendência, companheiros, se a vida vai bem, vota-se pela continuidade. Se vai mal, vota-se pela mudança. Algo errado nisso? Alguma grande ignorância? Incongruência? Não. Totalmente normal. Os brasileiros não são menos espertos do que os outros.
O governante mais popular da história do Brasil passará a faixa presidencial para sua sucessora em poucos minutos. Não foi o melhor que poderia ser feito, mas milhões saíram da miséria. Se você não sabe o que é isso, não julgue quem vota pela barriga! Não importa se foi pela Bolsa Família, que é muito válida, mas milhões passaram a fazer três refeições por dia, como ele prometeu! Diante disso, falar menas não é um grande problema.
Tem ainda a política externa. Controversa. Não gosto mesmo. A maioria das ações parece ter o único propósito de deixar claro que o Brasil não se curva à vontade da política americana. De qualquer forma, provavelmente pelo ganho de relevância do país na área econômica, deixamos de ser invisíveis. Somos uma nação grande. Não sei se o confronto de Lula ajudou, mas somos ouvidos e respeitados, ainda quando contrariados.
Particularmente, sinto que o orgulho de ser brasileiro se estendeu para além da Copa do Mundo. Sinto isso por aqui e por algumas andanças fora.
Lembro quando um amigo, há cerca de cinco anos, disse que, em trinta anos, esse seria um grande país. Ri internamente, acreditando que seríamos ainda por muito tempo um país do futuro. Hoje, acredito. Acredito piamente que ainda verei um país mais justo, apesar de tudo (e olha que é muita coisa puxando para trás!).
Se tudo isso é por obra de Luiz Inácio, eu não sei, mas que tudo isso aconteceu no governo dele, ah, aconteceu...


Atualizando: Para quem esperava que Lula fizesse sombra à Dilma, ele não fez nenhum pronunciamento e se retirou do parlatório logo após passar a faixa, deixando-a brilhar sozinha. Bom começo.