domingo, 5 de julho de 2015

Sobre estar só

Dizer que antes de entrarmos em um relacionamento devemos ser felizes na nossa própria companhia é daqueles clichêzões sobre o amor. Parece uma frase vazia para justificar a solidão, mas, se desenvolvermos o raciocínio, ela é valiosa.
Estar sozinho é o estado originário, digamos assim. Não podemos sempre garantir que estaremos com outra pessoa, então, o nosso "eu" é o que temos como segurança. A forma como nos sentimos quando estamos sós define a qualidade de todas as nossas relações (românticas, familiares ou de amizade). Se estar sozinho é algo tedioso ou deprimente, qualquer companhia melhor do que isso basta, o que não significa, por óbvio, que seja uma boa companhia. Por outro lado, aquele que consegue preencher com riqueza seus momentos solitários tem um parâmetro de qualidade muito maior, só aceitando uma companhia que lhe dê mais prazer que seus livros, filmes, músicas e reflexões. 
A linguagem não-verbal é poderosa. É o que Osho fala sobre se mover como mestre e não como mendigo. As pessoas com quem nos relacionamos percebem quem está mendigando carinho e companhia. E não é por mal que elas dão esmolas do seu amor, mas há a tendência humana de só se esforçar na medida em que é demandado. E como aceitamos o amor que achamos que merecemos, quem está carente aceita qualquer coisa, sem muito critério.
Torne-se um mestre, se quiser bons parceiros e amigos, porque mestres não se sentem atraídos por mendigos, que lhes privam de uma gostosa solidão, mas não lhes oferecem companhia.

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