domingo, 11 de dezembro de 2011

Orgulho de ser paraense?

Acabou o plebiscito e a imensa maioria da população do estado optou pelo não desmembramento do Pará. Os dados sobre a votação por região indicam que cerca de 90% dos moradores do tal "Pará remanescente" votaram pelo NÂO e a mesma proporção dos habitantes das outras regiões votou no SIM. Por questões numéricas, o primeiro venceu. Tudo certo, democracia é isso e é muito justo que a população inteira tenha sido consultada.
O que não está certo é, neste momento, ter uma comemoração na Doca e em vários outros pontos da cidade. Enquanto isso, cerca de duas milhões de pessoas estão desoladas porque tinham esperança que o SIM lhes conferisse uma perspectiva melhor, um futuro mais digno, um governo mais presente.
Veja bem, não há consenso sobre esta ser uma solução eficaz, mas isso não é nem um pouco relevante. O importante é que nossos irmãos, brasileiros e paraenses (por nascimento ou opção), tinham esperança e acreditavam nisso. Não há necessidade de concordar, mas há obrigação moral de ser solidário.
Essa comemoração é mais uma prova de que a população da capital continua não se importando com o futuro das pessoas que moram no interior. Este era o momento de segurar na mão e dizer que vamos caminhar juntos e que seremos um povo unido. Mas não. Preferimos deixar claro que não entendemos o desejo deles. Mais uma vez.
No último programa do SIM, apareceram moradores de cidades abandonadas, em casas abandonadas, segurando cartazes pedindo que Belém olhasse por eles. Ainda que você não acredite nos políticos locais e entenda que unidos cresceremos, não é possível que não tenha se sensibilizado. "Belém, olhe por nós". Não foram os políticos que pediram. Foram as pessoas. Ainda que elas tenham sido ludibriadas por uma elite com interesses escusos, que as fez acreditar que dividir o estado resolveria os problemas, elas acreditavam. É uma desumanidade apontar o dedo para elas e dizer: Perdeu! Rá!
Não sei como o belenense não percebeu que não se tratava de uma questão de ganhar e perder. Francamente. É muita falta de sensibilidade, solidariedade e, principalmente, senso crítico. Nas disputas, sempre um ganha e outro perde. Nas negociações, existe a possibilidade de ambos ganharem. Estou certa que o que estava em jogo não era uma disputa.
Alguns dizem que o plebiscito serviu para recuperar o orgulho de ser paraense. Pode ser. Ou não. Particularmente, acho que isso vai passar mais rápido do que veio e vamos voltar a implorar por reconhecimento do sul maravilha. Prova disso é a imagem ao lado, que circulou nas redes sociais nas últimas semanas.
É claro que gosto não se discute, mas acho pouco provável que alguém considere que a paisagem retratada oferece uma linda vista, como diz a legenda. O que eu vejo, além de um canal e um pedacinho de rio, são prédios, muitos prédios, que, em algumas mentes distorcidas, significam civilização. Para mim, a foto grita: Ei, tá vendo? Nós temos prédios! Prédios!
Se a intenção do autor da legenda era mostrar que Belém tem água, além de mato, e mostrar verdadeiro orgulho de suas águas e suas árvores, ele deveria ter colocado uma foto como esta outra. 
Para quem não sabe, isto também é Belém. Na Ilha do Combu. Poderia ser Outeiro, Ilha das Onças, etc. 
Lamento muito não ter batido uma foto, no meu último passeio pela orla, de uma placa que dizia: Cuidado, grande fluxo de canoas. Afinal, esse rio é a rua deles, que agora é dividido com lanchas e jet skis muito caros.
A exposição desta foto - esta sim, uma paisagem linda de se ver da janela - iria contra o objetivo de quem divulgou a primeira imagem. Perpetuaria a opinião dos sulistas de que aqui só tem índio. E não tem ofensa maior a um paraense do que dizer que aqui só tem índio!
Não consigo concluir outra coisa deste medo todo de ser confundindo com um indígena do que a opinião de que eles são seres inferiores. Não há qualquer razoabilidade em supor que alguém se ofenderia tanto com uma idéia, ainda que ela esteja equivocada, se a idéia em questão não for considerada pelo ofendido algo que lhe denigra a imagem.
Em pouco tempo, estaremos negando novamente tudo o que faz parte da nossa cultura, salvo o açaí, o guaraná (que agora são internacionais!), o tucupi e a maniçoba. Ah, tem o Círio também, a nossa única maravilha que não é de comer. Os ribeirinhos, os índios, as canoas, tudo isso será desejável que permaneça bem longe. No Tapajós, de preferência. Continuaremos dizendo que temos vergonha alheia quando nossa gente aparecer na televisão. Reclamaremos que os programas só mostram a gente feia de Belém. Cara de índio, afinal.
A população de Belém tem necessidade de provar o que é civilizada, mas faz isso com ações bem erradas. A brutalidade no trânsito, o desrespeito ao horário de colocar o lixo para fora, o egoísmo, a falta de educação e o culto a tudo o que vem de fora são bem conhecidos. Acabamos de incluir no nosso rol de incivilidades a perversidade. Pelo menos é isso que eu acho de quem comemora a desesperança alheia.

37 comentários:

Mac disse...

Sou do interior e fiquei tocada com teu texto.. pouca gente em Belém tem consciência do grande fracasso que foi esse plesbicito. Mostrou que parte da população realmente ainda não se deu conta do quanto é manipulada pela mídia enquanto outra parte é refém de todo o sistema que define o nosso estado.

É lamentável.

Felipe Mendes disse...

Gostei... Parabéns!

Anônimo disse...

ignorou uma parte importantíssima (eu diria q propositalmente) o uso do sentimento de pessoas manipuladas que acreditam que a culpa do desenvolvimento da região é puramente do estado, fazendo ao me ver uma vista grossa a assuntos relevantes como fundep, royalties e icms recursos desviados por governos locais, onde absurdamente é posto a culpa 100% na capital e no governo do estado... pareceu imparcial o texto, mas ignorar essa parte levantada na campanha tira o brilho do texto, bem escrito, mas deixa de ser neutro por conta desse deslise que talvez a parte boa mostra o preconceito das pessoas por suas feições muito bem exposto e eu digo essa parte é INDISCUTIVELMENTE INCONTESTÁVEL... para isso valeu a pena ler o ponto de vista... embora os que vão ler prefiram não acreditar do inicio do meu comentário, e principalmente derruba-lo com argumentos incontestáveis como da ultima parte

raquel c. disse...

Sr. Anônimo, acho que texto da Luiza não tem a pretensão de ser neutro ou imparcial, e nem me parece ser objetivo da autora discutir todos os tópicos que envolvem essa complexa questão da divisão do Pará.
Em seu Luiza se mostra parcial sim, ela está ao lado de seus concidadãos paraenses, que são cotidiana e historicamente esquecidos e ignorados pelo governo, e ainda agora são motivo de deboche, justamente porque continuarão esquecidos, sem acesso a serviços básicos de saúde, transporte, educação, desenvolvimento. Enquanto estes cidadãos suplicam a seus irmãos paraenses da capital: "olhem para nós", estes, por sua vez, olham sim para eles, mas para dizer: "Rá, Perdeu!" Luiza parece estar tentando apontar a falta de humanidade e consideração dos moradores da capital para com seus irmãos do interior.

Luiza, parabéns pelo seu texto!

Anderson disse...

Mas uma vez, parabéns pelo texto. Muito bem formulado.
Gostaria de dizer que optei pelo SIM nas urnas, não de forma consciente pois como você falou em um outro texto (Não tinha como se ter essa certeza), mas o que me levou a tomar essa decisão foi exatamente as pessoas daquela região que pedem que olhemos por elas. Enquanto ouvia por aqui de muitas pessoas dizendo "Olha, não pode dividir. Tens que pensar nos teu filhos e netos. O Pará tem que continuar grande para eles.". Eu pensava nos filhos e netos das pessoas que moram lá e passam por dificuldades atuais e que provavelmente passaram por dificuldades futuras. Também não tinha certeza, mas via na divisão uma possibilidade de melhoria para elas.
Eu não preciso de um Pará imenso, eu preciso de um Pará onde todos possam viver com dignidade, com pessoas vivendo em condições dignas de moradia, de saneamento, se educação; pois isso sim gera civilidade, não o fato de morarmos em prédios ou em ocas.
Temos uma incalculável riqueza que muitos não tem (Principalmente as pessoas do Sul e Centro-Oeste): o privilégio de abrirmos nossas janelas e ver a natureza entrando por elas, isso com toda certeza é muito mais lindo de se ver do que qualquer amontoado de concreto.

Mário Mourão disse...

Belíssimo texto, Luíza. Acho que essa sua foi a melhor opinião sobre o plebiscito que eu vi nesses últimos dias. E continuo achando digno de elogios essa sua capacidade de expressar os pontos ruins do pensamento que nos rodeava... Acho essa franqueza um traço difícil de achar nas pessoas que eu conheci.

Tendo a discordar de você sobre o plebiscito. Eu sou um dos que comemorou -- no silêncio da minha casa -- a vitória do "não". Não concordo com o fato de comemorar a manutenção do tamanho do Estado leve, automaticamente, a uma zombaria dos que perderam. Como se estivessem apontando para os perdedores e rindo da sua desgraça. Essa, para mim, parece ser uma diferença fundamental. Penso que comemorar que o Estado não se quebre não tem nada de imoral, se feito por um motivo bom.

Pelo que conheci do Brasil e de vários brasileiros, tem Estados que possuem maior identidade cultural do que outros. Citaria os Estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Pará, para citar alguns, como donos de cultura local bem distinta. Há outros que possuem uma identidade menor, como Santa Catarina, Alagoas, Espírito Santo. Há inclusive relações de dominância cultural pesada, como de Pernambuco em Alagoas, do Pará no Amapá. Isso não significa que todas as pessoas pensem igual, mas há certos pontos de convergência maiores, com expressões culturais mais arraigadas. Vamos dizer que não existe nenhuma identidade sobre o que é ser paulistano só porque tem muitas pessoas de fora em São Paulo capital? Tendo a achar que não.

Assim, vejo a manutenção do Estado como algo positiva.

Pode ser argumentado que é fácil falar isso de fora, pois já não moro em Belém há algum tempo. Mas acho bem curioso, pela minha recente experiência, que talvez seja um dos quais busca manter a ligação com o lugar de onde eu vim. Vejo muitas pessoas que não possuem maiores vinculações com os lugares onde nasceram. Chego até pensar que isso seja uma regra. Como exemplo, eu acho que sou um dos que mais volta ao Estado-natal. Poucos amigos meus aqui fazem isso. Talvez mais os cariocas (sequer os fluminenses; quem é do interior do RJ parece ter uma ligação mais fraca). Faço questão, também, de ostentar símbolos regionais. Assim ajo porque penso que tenho uma ligação grande com o lugar onde vivi por muito tempo.

Mário Mourão disse...

O problema da representatividade das populações dos sequer-criados Estados de Tapajós e Carajás merece ser imputado, penso, a quem realmente tem culpa por isso. Nesse ponto, não parece que ostento culpa, pelo mero fato de ser belenese, pelo insucesso político-econômico desses lugares. Mesmo porque, no canto da minha consciência, onde eu mantenho algum arbítrio, nunca desejei sugar os recursos dessas terras e despejar na minha querida cidade. Eu apontaria a própria população local com parcialmente -- parcialmente -- responsável pelas mazelas das suas próprias terras. Que reivindicassem mais, fizessem mais barulho. Que fiscalizassem mais os políticos que têm. Assim, vejo como positivo esse plebiscito, independentemente do resultado, porque parece ter sido o primeiro brado que efetivamente deram. A primeira vez que se exigiram respeito. Agora, mesmo com o resultado negativo, eles têm a chance de continuar a pressionar por melhoras. Assim, parece que há espaço para melhorias nesses territórios dentro do sistema democrático.

Como ponto de concordância, gostei demais do que você falou sobre querer separar a população etnicamente. Eu acho isso um acinte. Essas locuções "gente bonita" e "gente feia", geralmente acompanhadas por uns adjetivos mais acintosos ainda, são repugnantes. Menos mal que não são exclusividade paroara, mas todo o país parece ter influxos discriminatórios desse tipo (será que "o nortista só queria / fazer parte da Nação" e copiou isso também?). Mas tendo a ver um certo padrão nesse tipo de preconceito: quanto mais arraigado ele é, mais provinciana é a forma de pensar daquele que recitou o discrímen.

Talvez o maior problema desse plebiscito foi que, no fundo, pouquíssimas pessoas pensaram mais seriamente a sua importância. Perdeu-se uma grande chance de debate.

Larissa Hage disse...

Falou muito bem, Luiza. Você tirou as palavras da minha boca. É isso mesmo...
Tanta gente agora mandando o povo do "sim" ir embora do estado...é triste.
Uma falta de solidariedade. Vendo agora os políticos do "não" mandarem trio elétrico pra DOCA, enquanto meu avô sofre no interior pq por lá nem insulina tem...enfim é triste.

samara souza disse...

texto de uma sensibilidade e beleza enormes, parabens!!! sou do interior, e tenho muito orgulho de onde vim, nã tenho vergonha de ter cara de paraense, e tão pouco dos nossos costumes, que procuro preservar o máximo possível ,desde minha maneira de falar meu mocajubês, que tantos morrem de vergonha. eu amo isso é minha história e o meu rio e a minha floresta e a minha casa com muito orgulho tento viver minha vida do melhor modo amazônico de ser. e olhar para nossos irmãos do interior pq merecem ser respeitados

Ju Gorayeb disse...

Adorei seu texto, sou paraense e de Belém, conheço bastante desse nosso "Parazão" e também desse sentimento de esquecimento e abandono. Durante toda essa campanha não consegui definir claramente o que seria melhor para o nosso estado, por tras de tudo aquilo estão os interesses de politicos, destes que estão por aí a tanto tempo e até agora não fizeram muito por nós. Nossos representantes em Brasília, muitas vezes, não votam a nosso favor! Então me questiono, será que o correto é darmos mais poder a eles? O Estado pode ser bem para tod@s, basta vontade politica e honestidade com toda a população. Quero o meu Pará belo, com o povo saudável, com desenvolvimento e produção e com responsabilidade. Quero ver nosso povo unido para dizer não! Para fiscalizar e cobrar dos nossos "funcionários" (Governador, prefeitos, vereadores, senadores e deputados).

Anônimo disse...

Luiza, adoro seu blog e ler o que você escreve... uma pena que ultimamente não tenha postado tanto por aqui!

Anônimo disse...

esse pará aqui na nossa região só existe nos documentos de identidades fora isso não existe.

Anônimo disse...

vê se aprende uma coisa: não é o Governo que vai resolver a pobreza do interior do Pará, se é isso q vcs esperam, podem criar até 10 estados que vai continuar tudo pobre. Se vc tiver morrendo no interior, vem p belém, q vc vai morrer com glamour, no pronto socorro da 14 vai ser no chão no meio dos ratos, se for no metropolitano vai ser na lama ou então no meio dos buracos da alça viaria quem sabe, que chique hein!. Se belém tem alguma coisa, não foi o governo q fez, o governo só faz MERDA!! porra vcs não aprendem mesmo que se tem uma porra do shopping, não foi o governo q fez, se tem unimed, não é do governo, se tem emprego, tá bom, é sim dos cargos públicos q são criados, pq é só isso q tem no Pará e é só isso q ia ter no tapajós e no Carajás, pq paraense é burro e preguiçoso e só quer mamar nas tetas do Governo. Além disso, o seu depoimento só mostrou como os empresários paraenses além de burros, são ladrões e corruptos. Enquanto essas regiões ficarem esperando a ajuda cair do céu, vai continuar assim. Lembrem de uma coisa, Belém tá na merda tbm.

Luiza Duarte Leão disse...

Agradeço todos os comentários, mas, como são vários, vou me limitar a responder os que discordam de mim, ok?

Anônimo das 06:42, não entrei nesse mérito propositalmente, mas não com a intenção que você insinua, e sim porque não era meu objetivo discutir se a divisão era boa ou ruim. Eu nunca tive certeza disso e talvez nunca venha a ter.
Queria apenas refletir sobre os atos dos que votaram no NÂO depois do resultado.
Discordo, porém, que não tenha falado sobre a manipulação dos sentimentos das pessoas. Está no quinto parágrafo, pode checar. Posso não ter desenvolvido como você gostaria, mas não ignorei.


Mário, querido, seus comentários são sempre lúcidos. Concordo que o belenenses não tem CULPA pela miséria alheia. Minha manifestação foi em relação à falta de sensibilidade na comemoração. Tens todo o direito de, no teu íntimo, ficar feliz por um resultado que te parece justo. O problema reside naqueles que sequer refletiram sobre o que consideram "justo" e votaram em manada.
Votar pelo NÂO, diga-se de passagem, não é votar em manada, de forma alguma, desde que tenha sido refletido e ponderado. Respeito qualquer opinião que tenha sido racionalizada.
Acredito que o plebiscito foi sim um ato importante para mostrar o descontentamento dessas pessoas. Não podemos, contudo, exigir que tudo parta delas. A população é menor, menos instruída, mais fraca e mais fragmentada geograficamente. A mobilização é mais difícil e deveria caber a quem tem mais conhecimento (nós?) zelar por quem não tem. Como diria Saramago, é a responsabilidade de se ter olhos quando ninguém mais vê.


Anônimo das 14:44, isso é o melhor que você tem a dizer? Parabéns, das 658 visualizações que este post recebeu até agora, você foi o único a se expressar com virulência. Como é sabido que gente ignorante não escuta os outros e não muda de opinião, não vou gastar meu latim com você. Continue sendo motivo de riso dos que pensam criticamente, repetindo coisas bobonas que assiste na televisão.

Paula disse...

Muito bem lembrado anônimo das 14:44!!!
O Pará todo sem Belém, continuaria o mesmo... Tudo depende do seu povo!
Não adianta esperar, nada cai do céu!
E só Deus é a esperança... Não adianta ficarem lamentando! Não é falta de sensibilidade como a digníssima Luíza exclamou, mas sim a realidade!
O que Belém tem a ver com toda a miséria que existe?
Por que o povo que ama o Pará teria de levar toda a culpa?
Saibam escolher melhor seus representantes! Sem acreditar em contos de fadas como acabaram de provar votando no sim. Aprendam a discernir o bem do mal! Quem sabe assim melhore alguma coisa e possamos viver todos unidos, em paz e felizes... Com mais saúde, educação e trabalho digno!
Mãos a obra pq é de nós que vem a vitória, e não do que os interesseiros queriam para a nossa história!
E por favor, Luíza! É bom que vc não generalize, pois acredito que vc foi muito fraquinha em seu texto!
Viva o povo do Pará! Viva o Pará unido!!!

Paula disse...

Ahhh Luíza!!! E se vc não tem certeza se a divisão seria boa ou ruim para o povo do Pará, não tem pq vc discutir este assunto ou criticar as pessoas interessadas! Percebi que vc não está sendo solidária com a população pobre e sim alegando que são apenas... Como vc escreveu mesmo? Ahhh sim! Foi isso: _A população é menor, menos instruída, mais fraca e mais fragmentada geograficamente. A mobilização é mais difícil e deveria caber a quem tem mais conhecimento (nós?) zelar por quem não tem. Como diria Saramago, é a responsabilidade de se ter olhos quando ninguém mais vê.
É isso mesmo o que vc acha?
Será que eles concordam?
Fica aberta esta discussão!!!
Boa tarde!!!

Luiza Duarte Leão disse...

“Paula”,

Primeiramente, desculpe se eu estiver enganada (pouco provável), mas meu programa de estatísticas me diz o IP que você usou para fazer estes dois comentários foi o mesmo utilizado pelo Anônimo das 14:44. Poxa, amigo, ta ruim assim que precisa fingir que tem adeptos?
Entrando no mérito, só porque agora você foi educado:
1) Você argumenta que tudo depende do seu povo. Certo. Então, você acha que é possível que uma pessoa que não teve instrução, oportunidade, perspectiva, etc, tenha a mesma gana de vencer na vida que uma pessoa que estudou, concluiu o ensino médio, a faculdade e viveu com uma relativa segurança? Em alguns rincões do estado, elas desconhecem os seus direitos e até mesmo o que a vida pode oferecer. Os horizontes dessas pessoas são muito pequenos e não porque ela sejam pequenas, mas porque não lhe foi dado acesso a conhecimento e informação. E isso, meu amigo, é poder. Os políticos negam isso à população justamente para manter o seu poder. Além disso, você está ignorando totalmente o papel do Estado e das políticas públicas que promovem o desenvolvimento de qualquer país.
2) “Não adianta esperar cair do céu”. Suponho que seja melhor alternativa subir na boléia de um caminhão e ir trabalhar em troca de comida para algum fazendeiro, que anota as dívidas com transporte, alimentação e material, fornecidos por ele. Depois, se o “trabalhador” quiser ir embora, tem que pagar a dívida ou ser morto por um capataz. Isso acontecia no período da borracha e acontece ainda hoje. Chama-se condições análogas à escravidão. Já ouviu falar? É esse tipo de emprego que se oferece por aí. Ou então, essas pessoas poderiam parar de esperar as coisas caírem do céu e ir estudar, né? Mas não tem escola por perto e nem transporte escolar. Qual a sua sugestão?
3)”Saibam escolher melhor os seus representantes”. Pois é. Engraçado isso. Parece até que alguém no Brasil sabe escolher bem seus representantes. Agora imagina, se quem estuda e tem acesso a informações não sabe votar, imagina aquela senhora que fica sentada na porta de casa, na beira da estrada, vendo os carros passarem, cuidando dos filhos. Suponho que você sugira que ela deveria ir trabalhar, mas onde? Na fazenda retrocitada? Lá não tem creche para deixar os filhos. Você pode ainda se perguntar porque ela teve tantos filhos. Porque ela desconhece os métodos de controle de natalidade, que poderiam muito bem ser ensinados pelo Estado, mas é difícil ensinar algo para quem não tem instrução.

Luiza Duarte Leão disse...

4) “Aprendam a discernir o bem do mal”. É sério isso? E eu que uso argumentos fraquinhos. Tenha dó, quantos anos você tem?
5) No auge da sua insensatez, você diz que eu não deveria me manifestar por não ter certeza sobre a eficácia da divisão. Deveria deixar isso para quem está interessado. Deve ser alguém como você, que se interessa tanto em estudar algo que acha que existem os bons e os maus. O fato de eu não ter certeza não significa, absolutamente, que eu não esteja interessada, muito pelo contrário. Interessei-me tanto que considerei todos os argumentos, diferente de você , que se fechou na sua opinião rasteira.
6) Sobre a responsabilidade dos que foram educados e instruídos, sim, é isso que eu acho. Pelo visto, estou em boa companhia, a de um Prêmio Nobel. E você? Quem lhe acompanha? Tenho certeza que as pessoas que vivem na miséria querem sim que as quem tem uma condição melhor olhe por elas. Não que DECIDA por elas, mas que INTERCEDA por elas, cobrando, por exemplo, que o governo realize políticas públicas na região. Quem tem mais força tem a responsabilidade de zelar por quem não tem.
7) Quanto aos argumentos fraquinhos, você deveria ter mais cuidado com os seus. Você é tão contraditória que defende, ao mesmo tempo, que ama o Pará e que o povo deve seguir unido, mas, por outro lado, entende que cada um é responsável pelo seu futuro individualmente, e que não deveríamos opinar sobre a política aplicada às outras regiões, porque não é isso que eles desejam. Suponho que você acredite que eles desejam autonomia para decidir. Voilá, era isso que eles estavam pedindo, mas você, votando NÃO, negou, e agora vem aqui dizer que não é sua responsabilidade opinar sobre o que é melhor para eles. A partir de agora, é sim.

Deborah disse...

Parece que quem manipulou sentimento dos outros foi o pessoal do não... Essa estória de Pará eu te quero grande é um apelo do mesmo tipo das campanhas eleitorais, nas quais o povo escolhe os governantes dos quais sempre reclama depois.

Diana Oliveira disse...

Olá! Seu comentário foi bom e concordo com você quando critica a manifestação do "não" pelo resultado. Apesar de eu defender a não divisão do Pará, fiquei chocada com a festa que fizeram na Doca. Pensei: "isso não é eleição para se comemorar... é uma consulta pública que deve ser respeitada..."

O belenense tem muito orgulho de ter Paraense, mas a questão de ele optar pelo não é que a divisão deixaria o Pará sem identidade, no que diz respeito às suas riquezas minerais e florestas, que estão mais concentradas na região de Carajás. O Pará se tornaria ínfimo... pobre. E como o belenense tem esse tal orgulho, optou pelo não. Mas egoísmo não foi! Foi da parte do sim que teve egoísmo, principalmente da região de Carajás.
É o que penso! Temos que cobrar dos nossos prefeitos, que muitas vezes a culpa de um município ser pobre é devido ao governo municipal... eu, por exemplo moro numa região que seria fronteira ao estado de Tapajós. O município é uma "merda" e todo mundo aqui sabe que o prefeito desvia dinheiro "feito louco" e a população não faz nada... Então a culpa é do Estado? Muitas vezes não, a culpa é do Prefeito que só pensa no seu bolso!!!

Vamos refletir!

Babyclin disse...

O Para estah dividido. O Oeste do Para ha 200 anos luta pelo seu Estado. Ja vimos estados como Amapa, Tocantins e Mato Grosso do Sul outrora piores que nossa regiao dar um salto e se desenvolverem mais que o Tapajos. Nunca foi feito plebiscito com esses Estados, apenas levaram em conta o risco social causado pela ausencia do governo. Acho que a divisao deveria seguir requisitos tecnicos e nao ser feita de acordo com a vontade da maioria. Essa decisao foi passional dos dois lados: observem os resultados: 93% Nao no Para, 98%Sim no interior. Mesmo com a divisao seriamos irmaos brasileiros. Resumindo, ao se colocar a divisao em plebiscito, somos confundidos pelos politicos a votar sim ou nao. A divisao deveria ser feita de acordo com criterios bem estabelecidos, visando unicamente a presenca do governo. Agora, que tal se a capital fosse transferida para o interior do estado.?

Paula disse...

Querida Luíza!

Em 1º lugar, vc está enganada! Seu "programa de estatísticas" é inútil, pois meu nome é Paula e fiz questão que vc soubesse. Não tem ninguém fingido que tem adeptos.
2º Vc diz que eu sou contraditória, mas está claro que vc era ou é a favor do SIM. Entretanto afirma que os políticos negam instrução à população justamente para manter o poder. Agora pergunto de que lado vc está? Dos políticos (SIM) ou do povo (NÃO), mas como tudo indica o SIM, vc deve ter bastante interesse neste assunto. Não me venha com palavras de boa moça, pois a mim vc não engana!
3º Condições análogas à escravidão: Já ouvi falar e, apesar disso, conheço várias pessoas que moram ou moravam em situações parecidas e que conseguiram melhorar sua condição de vida, sem depender desses bandos de políticos corruptos e fdp. Onde vc mora mesmo?
4º Vc, como sempre supondo, deve supor que nesses lugares já existem rádio e televisão com propagandas sobre métodos de controle de natalidade. Inclusive, não suponho, conheço pessoas que não estão nenhum pouco interessadas em se prevenir, pois recebem recursos e ajuda do governo, que vc também elegeu, para sustentarem suas "crias". Como disse antes, não é questão de ser insensível e sim de conhecer a realidade. Há tempos não vivo em contos de fadas!
5º Tenho idade suficiente para saber do que estou falando, ao contrário de vc que mais parece uma patricinha mimada.
6º No auge da minha "insensatez", como vc disse e que por sinal deve conhecer como ninguém a personalidade humana, sei que existem sim pessoas de bom e de mau-caráter. Pessoas que só visam seus próprios interesses e neste caso, sobre o Plebiscito, a maioria foi sensata e percebeu o mal que rondava nosso Estado. Bandidos e forasteiros que queriam apenas se beneficiar e enriquecer às custas do nosso Estado e do nosso Povo.
7º Responsabilidade dos que foram educados e instruídos: Mais uma vez vc está afirmando que o povo é burro e fraco, e vc muitíssimo inteligente. Tanto que tem a companhia do prêmio nobel, pra mim, com letras minúsculas mesmo! Não preciso da companhia de ninguém, além de Deus. Sei que existem pessoas que estão precisando de ajuda, mas não é da sua maneira que eles vão ser ajudados. Vc acabou de mostrar o quão PATRICINHA é, falando no tal prêmio nobel de merda. Não pense que suas palavras são as melhores! Ninguém possui a verdade absoluta! Só Deus pode mudar essa situação! Não adianta dividir o Pará em 3 ou em 1000, tudo continuaria no mesmo. Aliás mudaria apenas para as pessoas muitíssimo interessadas, como os políticos, os filhos, os netos... Vc é um deles? Estaria explicado!
8º Bom... Acredito que a única contraditória aqui é vc! Defendo o meu Pará com unhas e dentes, e quando digo Pará é ele e tudo o que nele contém! O povo, a cultura, a arte... Tudo!!! Claro que cada um é responsável pelo seu futuro! Alguém duvida disso? Não acredito que existam pessoas fracas, pois Deus criou todos à sua imagem e semelhança. Deus é Soberano, Forte, Onipotente e Onipresente! Não tenho dúvidas, tenho fé! Ninguém é coitadinho e nem deve se fazer de um! Devemos sim opinar sobre a política em qualquer situação, especialmente neste caso tão importante. Em nenhum momento assisti nos comercias sobre a campanha do sim, as pessoas implorando que dividissem o Estado, e sim que precisam de ajuda, que precisam ser olhadas. É isso que tem que ser feito! Vc pode ajudar também! Não fique aqui, escrevendo inutilidades, vá ajudar quem precisa! Porque o Pará continua Grande! As pessoas continuam nele e precisam de pessoas como vc: Idealista, contestadora e desaforada. Pretensiosa. Observadora de coisas inúteis. Tem opinião sobre tudo, o que aumenta potencialmente o risco de falar besteira. Deve acontecer bastante!!!
E dá próxima vez vá falar merda pra sua avó!!!
Não adianta, não vou mais responder! Já falei tudo o que tinha pra falar. Se entendeu, ótimo! Se não, desculpe! Só falo 1 vez!
Adeus!!!
O Pará unido jamais será vencido!!!
Amo o Pará!!!
s2

Luiza Duarte Leão disse...

Paula,

1. Pode ser que eu tenha me equivocado sobre as postagens. Tudo bem. Peço desculpas por isso. De qualquer forma, existem muitas “Paulas”, isso não identifica você. E ainda que você se identificasse por nome e sobrenome, poderia estar mentindo.
2. Mais uma prova da sua inocência. Quase 95% da população das regiões do Tapajós e Santarém votaram no SIM. Como você diz, então, que votar SIM é estar ao lado dos políticos e NÂO é estar ao lado do povo. Que bobagem. E não, não tenho nenhum interesse pela divisão do Estado.
No mais, quando você diz que minhas palavras de boa moça não lhe enganam, só mostra como você vê o mundo: dividido entre pessoas boas e ruins. Você, certamente, é das boas. E depois, não acredita em contos de fadas...
3. Eu moro em Belém. Nasci aqui e provavelmente morrerei aqui. Há várias postagens no blog sobre a cidade, pode procurar. Não tenho o menos interesse de ir morar em qualquer dos estados que seriam criados. Muito pelo contrário.
Sobre os seus amigos que venceram, apesar das adversidades, que bom pra elas! Fico muito feliz, mas a vida delas seria mais fácil se elas tivessem sido contempladas com políticas públicas eficazes. Aliás, eles tem direito a isso.
4. Prefiro supor do que ter as suas certezas infantis. Além disso, você também supõe que eu votei no Lula, que criou o Bolsa Família, o que não é verdade. Você também encontrará várias postagens sobre isso aqui.
5. De onde exatamente você concluiu que eu sou uma patricinha mimada? Da sua raivinha por ser confrontada? Não sabia que o Prêmio Nobel era coisa de Patricinhas. Achava que patricinhas gostavam da Vogue, Marie Claire, etc.
6. Não afirmo que o povo é burro e fraco, mas que não teve oportunidades de se desenvolver. Pouca gente tem capacidade de crescer sem nenhum incentivo do meio onde vive, inclusive eu. Não me julgo melhor do que ninguém, apenas tive chances e tento aproveitá-las.
7. Não dá pra discutir com alguém que mete Deus em uma discussão política. Isso também é contraditório, pois você diz que eles não devem esperar as oportunidades sentadas, mas quer que esperem Deus ajudar. Interessante. “Só Deus pode mudar essa situação”, você diz. Decida-se: eles devem esperar sentados ou não?
8. Não tenho vínculos com nenhum político e conheço pouquíssima gente de Carajás ou Tapajós, o que não me impede de pensar neles. Sua acusação, de que eu tenho interesses ocultos, prova mais uma vez que você acha que só existem pessoas boas ou más. E que você é boa e eu sou má. Parabéns, pela maturidade.
9. Você diz que não é contraditória, mas fala que “Só Deus pode mudar essa situação” e, imediatamente depois, “que cada um é responsável pelo seu futuro”. Por favor, DECIDA-SE!
10. Quem disse que eu já não faço nada para ajudar os outros? Você não me conhece, não sabe como eu gasto meu tempo, portanto, está supondo. E errado, mais uma vez.
11. Por fim, recomendo que você leia a postagem que escrevi depois dessa. Pode ser que te ajude. Acho pouco provável, mas quem sabe?

Márcio André Gato disse...

Vamos orar! Vamos rezar! Vamos ter fé em Deus! Ele tudo pode! Vamos pedir-Lhe que salve nossos irmãos que moram no inferno. Ele é perfeito, afinal, foi criado à nossa imagem e semelhança! rs.

Parabéns, Luiza, pela clareza de pensamentos, pela racionalidade, pela humildade, pela educação, pelo bom senso, pelo estímulo ao debate de ideias e, sobretudo, por sua humanidade em demonstrar que se preocupa e é sensível às necessidades dos menos favorecidos.

Maíra Barros disse...

Luiza, como sempre foste precisa.

Só não sei como tens estômago pra lidar com anônimos e pessoas que não têm o mínimo equilibrio pra manter-se em um debate sensato, sem invocar à Deus (que nada tem a ver com a falta de idoneidade dos nossos políticos) ou à acusações pessoais infundadas.
Sériozão, admiro tua paciência e humildade.

Anônimo disse...

Melhor, vamos nos dividir do Brasil, já q sempre fomos esquecidos por eles tbm....
Legal de sua parte se sensibilizar com o povo do interior, mas será q isso não eh cultura de todos os povos? Final de eleições não tem comemoração pq o outro partido ta derrotado, neh? É só um ponto q eu qro destacar em relação a eleição, não ao seu objetivo...

Luiza Duarte Leão disse...

Márcio, adorei o "Ele é perfeito, afinal, foi criado à nossa imagem e semelhança!". Pena que nem todos vão conseguir alcançar. Nossa amiga, que é um poço de bondade, provavelmente não irá!

Maíra, meu bem, acusações pessoais infundadas constituem uma das únicas armas dos desesperados. Faço questão de confrontá-las. Outro instrumento que eles usam é a vagueza. Não podemos deixá-los sem resposta, para que eles não se beneficiem do que não disseram.

Anônimo das 00:02, a diferença é que nas eleições para eleger um candidato, há sim vencedores e perdedores (o candidato e o partido). E o povo não é mais ingênuo para acreditar que a eleição de um ou de outro vai mudar a sua vida, salvo se ele for receber algum cargo comissionado. Acredito veementemente que são esses que saem às ruas. Ou aqueles que receberam para trabalhar na campanha, empunhando bandeiras. É o papel deles ir à "festa da vitória".
E quanto à divisão do Brasil, há uma diferença: desconfio que não recebemos menos em investimentos do que contribuímos com o PIB. Talvez um dia tenha sido assim, mas não hoje. Não que não tenhamos o direito de exigir investimentos que aumentem a nossa produtividade, afinal, somos uma nação. Somos esquecidos, mas não exatamente "explorados". Não sustentamos o país.
No mais, nos sentimos brasileiros e queremos ser brasileiros. A população dos pretensos outros Estados não queria mais ser paraense.
E veja bem se você ler a postagem anterior, vai ver que eu não acho que isso significa que DEVA separar, apenas que entendo a vontade como legítima e me solidarizo com a desilução.

Lanes disse...

Se a divisão seria ou não benéfica a essas regiões é algo que não saberemos com certeza, apenas podemos conjecturar a respeito e ainda assim é uma discussão que dificilmente teria resultados práticos. Independente de lados, há muita paixão envolvida no assunto, muitos interesses diversos e divergentes.
A insensibilidade não parte só de quem mora na capital, estender panos pretos em sinal de luto como foi feito em santarém também não é um tanto grosseiro? Os deputados já se pronunciarem publicamente procurando novas maneiras de garantir o desmembramento não é uma imensa falta de respeito com os que votaram contra a divisão? Propor a mudança da capital em tom de ameaça não é tabém grosseria?
Pobreza e miséria não são exclusividade do interior do estado, quem não conhece a pobreza e miséria de Belém e arredores, não conhece Belém!
Se os deputados eleitos nessas regiões fizessem metade do esforço quen fizeram em prol da divisão, que considero veementemente um erro, para conseguir recursos para seus eleitores as coisas não estariam neste pé!
O processo todo foi feito de forma que considero desrespeitosa, toda a estratégia dos articuladores foi baseada em excluir a região remanescente do Pará da decisão, nós também fomos excluídos da discussão, o processo foi conduzido com arrogância, disseminando gratuitamente a cultura do ódio, plantando a idéia que os habitantes de Belém vivem uma vida de regalias na "Côrte" às custas da miséria do restante do estado!
continua...

Lanes disse...

continuação...
O Pará sofre com a fragilidade do pacto federativo, somos reféns da união que nos penaliza ao não compensar as perdas com a lei Kandir, que cria reservas de proporções monumentais (como é o caso da região do tapajós) sem criar mecanismos de compensação à região que deixará de explorar estas riquezas, enfim, é interessante ao governo central manter os estados da federação como pedintes recebendo migalhas, é isso que lhe garante poder de barganhar para aprovar o que quiser na câmara e no senado!
Não há nada pior que respostas certas para perguntas erradas, diminuir a complexidade dos problemas do estado a uma simples questão de SIM ou NÃO, é muito simplório.
Desculpe por me prolongar, este é um assunto que dará muitas linhas de discussão ainda, e essa discussão é saudável e necessária, desde que respeitosa!
Uma das questões centrais do seu texto é a critica aos que "foram pra Doca" comemorar a vitória do NÃO. Eu não fui, minha maneira de comemorar foi mais discreta, na segunda fui trabalhar ostentando minha camisa do Pará, mas você acha que seria diferente nas regiões dos pretenstos estados de Carajás e Tapajós caso o SIM tivesse ganhado? Como disse antes, há muita paixão envolvida no processo, de ambos os lados.
Aqueles que comemoravam, não estavam comemorando a miséria e o abandono do povo, isso acontece aqui em Belém, acontece no Marajó, acontece em Santa Bárbara (município que fica às margens da PA, a caminho de Mosqueiro, pra quem não conhece), pelo menos não a maioria, é a comemoração pela vitória sobre uma proposta descabida, criada unilateralmente pelos que acreditavam piamente que decidiriam sozinhos levar de uma só vez mais de 80% do território do estado para uma população de 33% (baseado nos números do TRE que apontam, arredondando, 66% da população contra e 33% a favor).
Será que estas populações ficariam sensibilizadas e deixariam de comemorar pensando por um só segundo que os cidadãos que ficariam no Pará remanescente poderiam também passar por dificuldades, como aliás passam todos os dias milhares de cidadãos das periferias de Belém, dos municípios do arquipélago do Marajó, enfim, de todos os rincões deste Brasil colossal?
Reivindicações de maior presença do Estado, de maiores investimentos fora da capital, de mais atenção ao povo são muito pertinentes e merecem ser discutidos não só no meio político onde as coisas se distorcem, mas no meio acadêmico, nas redes sociais, nas escolas, nas igrejas, em todos os ambientes de convívio social. E não só discutido, precisa haver ação!
Agora apontar como solução para o problema algo tão simplório como criar novas unidades federativas, soa ofensivo a inteligência. Se criar burocrácia e cargos públicos resolvessem problemas, o Brasil seria o paraíso.

Yúdice Andrade disse...

Luiza, notei que esta postagem teve sua leitura indicada por mais de uma pessoa no Facebook. Finalmente vim conhecê-la.
Ao contrário dos críticos beócios (com os quais já lidei muito), compreendo que se pode e deve separar aspectos de um assunto. A postagem pode ser analisada sem tomar partido pelo "sim" ou "não"; o tema não era a separação do Estado, e sim algo muito mais subjetivo e emocional, que revela mais um pouco do teu profundo senso de humanidade, que há tempos me encantou e que não surpreende quem já leu outros textos do teu blog.
Mais uma vez, estou de acordo contigo, destacando que há um sem número de aspectos, no tema da divisão do Estado, que podem e devem ser investigados mais a fundo. Talvez o momento propício esteja chegando, sem o calor da deliberação. E a irracionalidade de muitos, sobretudo.
Uma curiosidade: hoje, sou mais simpático à criação do Tapajós do que era dois dias atrás. Sério. Melhor seria para o Oeste do Estado que nunca se tivesse alinhado ao Sudeste. Como essa proposta de divisão é bicentenária e popular, além de já ter sido cogitada até pelo então governo imperial, penso que é algo em que devemos pensar melhor. Algo que se deve começar a construir desde hoje, com muita calma.
Abraços.

Anônimo disse...

Realmente fiquei muio triste com o resultado, pois a minha intenção era conseguir um cargo político no estado de carajás!

Zâmara disse...

Sou da região do Tapajós e moro em Belém há 5 anos. Concordo plenamente com tudo que você escreveu. E já havia manifestado minha decepção também pelo faceboook quando esperava que os paraenses que dizem amar o Pará, ao menos se sensibilizassem com a situação real do restante do estado. Fiquei feliz ao ler o blog e perceber que existem sim, ainda que a minoria, pessoas de bom senso.

Anônimo disse...

Belo texto... Do tipo que "toca na ferida" e expõe o que somos... Um povo que nega suas origens e sente vergonha da sua gente. Gente que "toca" esse estado com suor e sangue... Na falta de lágrimas (há muito secas) só posso rir... Principalmente das pessoas que odeiam o ver-o-peso, com seu cheiro pútrido e sua gente feia, mas vão até lá perguntar ao vendedor de barbeador chinês se o estado deveria ser dividido... E o melhor de tudo é a resposta: "NÃO, NÃO, NÃO, vão levar nossas riquezas minerais !!!!" NOSSAS RIQUEZAS MINERAIS!?!?!?!?! Desde quando???
O povo do sul foi alvo de "fogo amigo" disparado pelos bravos e instruidos soldados do "Pará civilizado"... Que fizeram juras de amor ao Parazão!!! Mas pelo que lutar soldado???? Vamos pra Doca, beber e gritar... MAS... O QUE COMEMORAR??? SE AFINAL, TODOS PERDEMOS....

Luiza Duarte Leão disse...

Lanes, não precisa se desculpar por se alongar. A questão é realmente tortuosa e não pode ser resumida em argumentos simplórios. Os seus, aliás, são ótimos. Não tenho nada a acrescentar. Apenas faço a ressalva de que, ainda que eles não se mostrassem solidários conosco, isso não nos exime da nossa responsabilidade de demonstrar sensibilidade aos problemas deles. Um erro não se justifica com outro.

Yúdice, esse foi meu recorde absoluto e dificilmente será quebrado, pois não haverá um tema que gere tanto interesse quanto esse tão cedo! Fiquei feliz, pois foram quase 1.200 visualizações e, até lá pelas 700, não tinha sido ofendida por ninguém, quando finalmente apareceu o (a) beócio em questão. Ainda assim, foi só um. Acho que estou no lucro!
Quando ao Tapajós, parece que eles realmente se prejudicaram ao se associar ao Carajás. Muita gente tinha uma simpatia maior, mas, é só ver a votação por cidade, que foi divulgada hoje, e verificar que os números são praticamente os mesmos em todas as localidades. O resultado final foi homogêneo não só no geral, mas em cada município do Pará.
Quanto aos seus elogios, nem preciso dizer, mais uma vez, que eles são motivo de grande honra para mim!

Alexandre Pires disse...

Acredito que as pessoas que apareciam mostrando cartazes implorando ao "cruel" povo da capital que votassem no SIM nem sequer sabiam o porque e para que daquilo.

Belém, assim como o interior possui as mesmas mazelas das´áreas separatistas, mazelas essas que também são a realidade do interior que foi esquecido pela campanha; o interior do Nordeste. Baixo-Tocantins. Região Bragantina, Marajó e Região das Ilhas,que também votaram NÃO.

Por falar em votos, sem os votos da capital, pouco mais de 700 mil, o NÃO sairia vencedor de qualquer forma, haja vista que a diferença foi maior do que 1 milhão de votos.

A capital do Estado é a maior culpada das mazelas? Claro que não, vivemos em um Estado Democrático de Direito, e sugiro aos meus amigos dessas regiões que votem corretamente e escolham representantes que façam alguma coisa por suas regiões, já que o Governador do Estado não governa sozinho. Eles sim são os maiores culpados. Parem de sentir o patinho feio da história, o pobre coitado, cobrem de seus representantes.

Comemoração, porque NÃO; deveria-mos declarar luto como a incompetente Prefeita de Santarém fez? Será que se o SIM tivesse vencido a comemoração seria silenciosa. Ora, vamos parar de hipocresia e trabalhar naquilo que mais importa ou seja, por um Pará mais forte.

Diana disse...

Nossa, esse post bombou hein! kkk =) só vim aqui dizer que Ensaio Sobre a Cegueira é meu livro preferido, que eu me pdiei quando terminei ele só por ser humana, que eu achei a festa da doca patética e que eu sou sua fã! =*

Erlon Andrade disse...

O plebiscito serviu apenas para dizer quem manda.
Não sou paraense mas apesar de todas as dificuldades visto a camisa de paraense.
Agora como querem dividir um Estado como o Pará sem dar informações suficientes para o povo?
Não podemos engolir informações somente de um mês ou três de campanha.
Que o povo do interior é sofrido, isso, não há o que discordar, porém, há a necessidade da população ser orientada a cada dia sobre a necessidade de uma futura divisão e não em véspera de eleição!