sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"Born this way"

O menino da foto ao lado é o Dennis, que hoje já é um adulto bem resolvido. Seus pais não lhe pediram pra colocar a mão na cintura ou levantar o pé. Ele o fez por conta própria, porque quis, porque seus gestos eram afeminados, porque ele era gay desde aquela época, ou, provavelmente, desde que nasceu.
A foto foi extraída do blog Born this way (algo como Nascido assim), uma iniciativa de Paul V., um californiano que pretende, de uma forma pouco ortodoxa, mostrar que ninguém escolhe ser gay, mas sim nasce com tal preferência sexual.
Ele pede para que os leitores gays mandem suas fotos de crianças, nas quais se reconheçam e admitam que a condição lhes acompanha desde a infância.
Comungo da opinião de Paul: não há exatamente uma opção pela homossexualidade, mas sim uma característica - como a cor da pele ou do cabelo -, algo que não se pode mudar (afinal por opção, entende-se uma pluralidade de possibilidades). Esta posição, diga-se de passagem, está sendo cada vez mais admitida. Em entrevista à Veja da semana passada, o cantor Ricky Martin se manifestou neste sentido.
Acredito que a defesa da opção pela sexualidade tenha surgido para fazer um contraponto com uma opinião outrora dominante de que a homossexualidade se tratava de uma doença e que, portanto, teria um tratamento. Foi uma forma de se firmar, de evitar a pecha de doente ou anormal. Foi válido.
Entretanto, em uma sociedade que avança em direção à tolerância - a passos lentos, mas avança - a negação da característica genética e/ou psicológica da homossexualidade não faz mais tanto sentido. De certa forma, quase todo mundo já entendeu, mesmo que não admita, que ser diferente é normal.
Então, pelo amor do Senhor, como discriminar uma pessoa por algo que ela não pode escolher?

5 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Uma psicóloga que respeito muito me disse, certa vez, que estudos recentes apontam a homossexualidade como uma condição própria do indivíduo, definida pela genética. Não se trata de uma doença, mas de uma característica do indivíduo, tal qual a cor da pele ou dos olhos, a altura, o tipo de cabelo. Apenas uma característica.
Ela me disse, contudo, que os próprios ativistas gays detestam esse tipo de explicação, por temerem a discriminação genética, que tem no nazismo uma de suas mais odiosas manifestações.
Cuida-se, portanto, de uma orientação sexual, e não de uma opção, que não justifica qualquer menosprezo.
Mas suponho que ainda vai demorar para que as pessoas assimilem isso.

Luiza Duarte Leão disse...

Yúdice, querido, estou de acordo com você e com a referida psicóloga. Até fiz uma alteração no texto. Creio que dizer que a homossexualidade é uma característica é bem mais apropriado do que dizer que é uma preferência. Era o sentido que eu queria ter dado, mas não achei a palavra adequada. Obrigada pela ajuda!

Ana Miranda disse...

Eu continuo a achar que, o que cada pessoa faz na cama é um problema única e exclusivamente de cada pessoa.
Interessa-me o que as pessoas fazem e que podem afetar a sociedade.
Sua conduta ética, isso sim, é dígno de preconceito, pelo menos de minha parte. Não suporto e tenho todo preconceito do mundo contra pessoas sem caráter.

Stephan disse...

Esse abaixo sou eu:

http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAHyK0bHJUouMQ-3YCiCZtXzFYC4CHMA_GzQAcs1DIIgFBmZA4XRPNvTPhpO_vVezmCPqAESRVXGW0H6nSdRQdEsAm1T1UKA0k4V-sL55plI2BDwmp8ROGI08.jpg

Puta merda.

Luiza Duarte Leão disse...

Seria ótimo se todos pensassem assim, Ana, mas ainda vai custar. Quem sabe um dia?

Stephan, querido, eu sempre soube. Tu bem sabes que eu sempre soube! haha