sábado, 1 de janeiro de 2011

Nunca antes na história desse país

Podem falar o que quiser sobre Luiz Inácio Lula da Silva, mas nunca antes na história desse país houve uma posse como a dele.
Caravanas saíram do país inteiro para acompanhar a chegada de Lula e do Partido dos Trabalhadores ao cargo máximo da política brasileira. Era militância, sim, mas militância espontânea, de convicção, de ideais. Pessoas que tinham certeza de que a vida iria melhorar.
Eu tinha apenas 18 anos, mas lembro como se fosse hoje das pessoas invadindo o lago à frente do Palácio do Planalto, fazendo uma festa, se divertindo. Foi de emocionar.
Naquele tempo, eu ainda era uma típica leitora de VEJA (perdão gente, 18 anos - eu ainda leio a revista, mas senso crítico é fundamental) e acreditava que Lula criaria um caos. Quando vi a manifestação espontânea das pessoas, a emoção e a esperança, as coisas começaram a mudar. Se tanta gente tinha tanta paixão por ele, era hora de dar um crédito.
Lula não me conquistou como eleitora, mas ganhou o meu respeito como cidadã. Conseguiu o que parecia impossível: agradar a quase todos, a 87% dos brasileiros. Sinto muito, classe pensante do pais, mas eu não ousaria dizer que 87% da população é ignorante. É muita pretensão. Os que temiam o Governo Lula, tiveram uma grata surpresa. Os que tinham esperança, não se decepcionaram. A vida melhorou, é fato.
Não importa se foi a economia, se foram os ventos favoráveis, se foi a estabilidade. O fato é que a vida melhorou. Vocês que idolatram os Estados Unidos, lá eles também votam pela economia. Barack Obama teve uma derrota retumbante porque a economia do país vai mal, mesmo não sendo exatamente culpa dele. É tendência, companheiros, se a vida vai bem, vota-se pela continuidade. Se vai mal, vota-se pela mudança. Algo errado nisso? Alguma grande ignorância? Incongruência? Não. Totalmente normal. Os brasileiros não são menos espertos do que os outros.
O governante mais popular da história do Brasil passará a faixa presidencial para sua sucessora em poucos minutos. Não foi o melhor que poderia ser feito, mas milhões saíram da miséria. Se você não sabe o que é isso, não julgue quem vota pela barriga! Não importa se foi pela Bolsa Família, que é muito válida, mas milhões passaram a fazer três refeições por dia, como ele prometeu! Diante disso, falar menas não é um grande problema.
Tem ainda a política externa. Controversa. Não gosto mesmo. A maioria das ações parece ter o único propósito de deixar claro que o Brasil não se curva à vontade da política americana. De qualquer forma, provavelmente pelo ganho de relevância do país na área econômica, deixamos de ser invisíveis. Somos uma nação grande. Não sei se o confronto de Lula ajudou, mas somos ouvidos e respeitados, ainda quando contrariados.
Particularmente, sinto que o orgulho de ser brasileiro se estendeu para além da Copa do Mundo. Sinto isso por aqui e por algumas andanças fora.
Lembro quando um amigo, há cerca de cinco anos, disse que, em trinta anos, esse seria um grande país. Ri internamente, acreditando que seríamos ainda por muito tempo um país do futuro. Hoje, acredito. Acredito piamente que ainda verei um país mais justo, apesar de tudo (e olha que é muita coisa puxando para trás!).
Se tudo isso é por obra de Luiz Inácio, eu não sei, mas que tudo isso aconteceu no governo dele, ah, aconteceu...


Atualizando: Para quem esperava que Lula fizesse sombra à Dilma, ele não fez nenhum pronunciamento e se retirou do parlatório logo após passar a faixa, deixando-a brilhar sozinha. Bom começo.

Um comentário:

Anaína disse...

Adorei o texto. Só não concordo com a parte da política externa... fazer política externa independente não significa querer mostrar que não se curva aos EUA.
Será que o Barão do Rio Branco não deve ter recebido críticas ao mudar a nossa política externa do eixo Europa para os EUA e antes da I Guerra Mundial?! Com certeza menos do que Celso Amorim recebeu ao direcionar a nossa política para os países não-tradicionais...