sábado, 1 de janeiro de 2011

Enfim, o poder

Muitas não veem mais sentido na luta pela igualdade da mulher. Acham que já conseguimos. É verdade, em parte. Eu me sinto igualmente capaz de conseguir tudo. Não me sinto discriminada em nada, mas negar que o caminho ainda não terminou é estar focada no próprio umbigo e não enxergar a realidade ao redor.
Mulheres de classe média - alta, especialmente - não tem do que se queixar. As oportunidades são as mesmas, a escolaridade é maior, o salário é compatível. Assim, o discurso pode parecer bobagem, mas não é.
Nas periferias das grandes cidades e nos grotões do país, as coisas são muito diferentes. A ausência de informação, de oportunidade e de políticas públicas afasta milhões de mulheres do mercado de trabalho. Meninas que engravidam cedo e largam os estudos; mães que trabalham e não tem uma creche para deixar os filhos; mães que deixam de trabalhar para cuidar dos filhos. Mulheres que dependem financeiramente de seus homens, que deixam desassistidas elas e seus filhos, quando resolvem ir embora, razão pela qual elas se submetem a humilhações de toda sorte (esqueça a lenda da mulher de malandro - o motivo real é esse!).
Eu acredito, sim, em dias melhores. O momento é de esperança. Não importa o partido, não importa a ideologia. O simbolismo de ter uma mulher no comando de um país é enorme, ainda mais pela raridade do fato no mundo inteiro. Sim, podemos comandar. Estamos aptas.
E tem mais: Dilma, como bem disse, é agora a Presidente de todos os brasileiros. Quem não torce pela sua sorte e seu sucesso é um abutre que odeia o seu país ou é cego de ódio e preconceito. Minha única cisma com ela, até o momento, é essa história de se autodeclarar Presidenta. É Presidente e pronto!

2 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Eu ia comentar a diferença de oportunidades para as mulheres, conforme as classes sociais, mas tu mesma fizeste isso, inteligente e antenada que és. Não tenho, pois, nada a contra-argumentar em relação a tua postagem. Exceto quanto ao "presidenta". Neste particular, sugiro a leitura deste meu textinho aqui: http://yudicerandol.blogspot.com/2010/10/minha-lingua-portuguesa.html

Luiza Duarte Leão disse...

Ora, meu amigo, claro que eu li a tua postagem! Não concordei na época e ainda não me rendi.
Ter uma mulher na Presidência é histórico, mas já houve outras presidentes no mundo e sempre as chamamos assim.
Receio que, por algum tempo, pelo menos, continuarei sendo uma "elitista verbal", especialmente quando vejo as atrocidades vindo, justamente, de uma elite despreparada.