segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Encontros

"Qual sabor eu peço? Tem que ser um romântico. Morango é romântico, né?"
Com essa frase, na fila do sorvete, a garota desperta a minha atenção. Ela esperava um menino, claro. Ele já estava no shopping e já sabia que ela estava na sorveteria. Qualquer mulher sabe que esse sorvete foi milimetricamente pensado. Uma idéia genial (aham...) na intenção de mostrar que ela estava em um passeio normal, displicente, que não estava ansiosa.
Mulheres em início de relacionamentos realmente acreditam nessas coisas. Quanto mais jovem, mais babacas as coisas (ou não). Mulheres acreditam que a cor do batom pode determinar se ele vai querer ou não querer ficar com ela. Ou, a cor do sorvete.
Homens não entendem o peso de um encontro para uma mulher. Eles simplesmente as convidam para jantar e se arrumam em meia hora. Elas fazem um ritual. Fazem unha, cabelo, compram roupa nova, criam diálogos imaginários, fazem planos. Surtam!
Tive vontade de pegar a guria pelo braço e dizer "flor, se um garoto quiser ficar contigo, ele vai te beijar mesmo com os dentes sujos de sorvete de açaí"
Decidi que ela ia aprender sozinha (ou não, novamente)
Quis ficar ali e ver se ele ia aparecer antes do sorvete romântico derreter. Algo me dizia que ele iria parar em alguma loja para ver a camisa da vitrine (talvez tentando ser displicente, também), frustrando os planos dela - o que é uma regra nessas idéias mirabolantes. Mas eu não tenho mais 16 anos e a vida me chamava...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ódio, rancor e maldade

"Só existe uma explicação para terem tirado a CPMF
 do orçamento da União: ódio, rancor e maldade".
(Lula, em 13.12.2010)

Eu defendo o Lula. Quase sempre. Estou naquele percentual de brasileiros que acha que seu governo foi razoável/bom. Entre meus pares, sou uma exceção e, provavelmente, sou criticada por eles, pelas costas. Devem me enquadrar ali no rol de brasileiros não pensantes, como a classe média rotula todos os que não comungam de suas idéias. Tem duas coisas, contudo, que eu não aceito e que, para mim, são os maiores defeitos do Presidente: a vitimização e, contraditoriamente, a supervalorização de si mesmo. 
O Presidente não percebe que se equipara aos que tanto critica. Para os que o odeiam, tudo o que ele faz é ruim. Para ele, todos que discordam dele querem prejudicar o país. Dá no mesmo.
Lula não admite a pluralidade de idéias. Não admite a possibilidade, por exemplo, de os parlamentares terem votado contra a prorrogação da CPMF por julgar que aquilo seria o melhor para o país (hipótese remota) ou para responder a um anseio da sociedade (hipótese provável, não pelo compromisso, mas pela vontade a amealhar votos). Não. Qualquer votação que contrarie Lula é maldade pura. Ele, só ele, sabe o que é melhor para o país.
Na verdade, Lula tem ódio e rancor por todos os que dele discordam, por todos que o criticam. Por isso o ódio pela imprensa. O ódio a FHC, que o derrotou duas vezes e, pecado dos pecados, é mais instruído do que ele. Ele não aceita. Ele é o melhor e quem não entende isso só pode ser doente da cabeça.
No mais, alguém avisa ao Presidente que ele citou três razões e não uma. Mas cuidado! Ele vai acusá-lo de preconceito porque ele não estudou!