quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Adoráveis mulheres

Hoje foi a missa de sétimo dia da minha tia-avó (que morava com a minha avó há 15 anos, então, era quase avó também) e, nos pronunciamentos da família, pude perceber o quanto essas duas mulheres, que partiram em um intervalo de tempo tão curto entre uma e outra, eram modernas.
Minha tia, Helena, nasceu em 1911, falecendo, portanto, aos 99 anos. Minha avó, Carmen, nos deixou ano passado, aos 86. Ainda assim, a primeira era advogada e a segunda, médica. Um inusitado para uma época onde as mulheres não trabalhavam ou, no máximo, eram professoras do primário.
Helena se graduou em Direito, em 1932, tendo sido a primeira mulher inscrita na OAB/PA, segundo a família (não tenho fonte mais confiável, admito). Tive a honra de ganhar seu anel, na formatura. Carmen se tornou médica na década de 40 e exerceu a pediatria por décadas, até a aposentadoria. Muito antes, portanto, que as mulheres começassem a queimar sutiãs em praça pública.
Claro que condições econômicas favoráveis (mas nem tanto, meu bisavô tinha uma alfaiataria no Comércio) e o fato de serem filhas de espanhóis, um pouco menos provincianos, à época, ajudou para que concluíssem seus estudos, mas nada as moveu mais do que a certeza de que podiam mais, podiam tanto quanto eles.
Parando para pensar, elas eram o que todas as mulheres de hoje ainda querem ser: boas profissionais, independentes financeiramente, com tempo para a família e para cuidar de si mesmas.
Foram sem grandes homenagens, além da família que as amava, mas, para mim, Carmen Montero Montenegro Duarte e Helena Montero Valdez foram mulheres de vanguarda, mulheres admiráveis, uma inspiração.
Meu feminismo* está no sangue, vocês não podem reclamar!

* Não sou feminista. Sério.

2 comentários:

Ana Miranda disse...

E também seu talento.
Sorte sua ter correndo em suas veias, sangue de mulheres tão admiráveis!!!

Tanto disse...

Parabéns pelos exemplos. Quase tudo passa, eles ficam.